quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Poema: Alzheimer

Encontrei o poema que se segue num blog The Chess Lover. Não sei quem é o autor, gostaria de deixar um comentário a pedir autorização para o publicar neste blog, mas não consegui deixar o comentário. Espero que o autor não se importe, pois o poema é lindo, e diz-me muito. Quem tem amigos ou familiares com Alzheimer de certo que o entenderá!


 


Alzheimer


 


O que vê não sente,


E o que sente quer ver,


O que imagina quer viver,


E o que vive só faz sofrer.


 


O que sou é uma miragem


E uma miragem é o que enxergo,


Quando vou, quando chego,


Quando olho para uma simples paisagem.


 


Para onde olho nada recordo,


E o que recordo mal sei quando o esquecerei,


Será repentino, não repararei,


Sinto o vazio quando acordo.


 


Quando acordo penso,


E do que ainda me lembro sorrio,


Deste profundo sonho imenso,


A minha vida imaginária crio.


 


Da minha real vida já nada sei,


Nem quem sou nem quem amei,


A mente apagou-se como uma vela a arder,


E ninguém a voltará a acender.


 


O passado é uma réstia de sanidade,


O presente apenas um dia mais,


O futuro uma estrada sem piedade


A minha vida, um porto sem cais.

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Fim

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