sábado, 28 de maio de 2011

Novamente de madrugada...

Durante os últimos meses, as noites do meu pai decorriam normalmente, atendendo ao facto de ele ter Alzheimer. Entretanto na ultima semana, segundo a minha mãe me conta houve alterações. Ele acorda varias vezes e  cada vez com uma história diferente. Desta vez, por volta das 4h da manhã o meu pai ralhava com a minha mãe, porque ela não lhe tinha preparado o jantar, dizia-lhe: " eu é que sustento a casa e sou sempre o ultimo a comer!" Coisas sem nexo, mas a minha mãe depois custa a adormecer de novo, e fica mais cansada!


É que esta fase já tinha acontecido antes e depois com a medicação tinha melhorado, porque será que voltou ao mesmo? Eu perguntei à minha mãe se ela lhe estava dar a medicação toda correctamente. Ela diz que sim, mas...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

De madrugada...

Numa madrugada destes últimos dias, cerca das 4:30h, o meu pai levantou-se e começou a chamar a minha mãe. Quando ela lhe perguntou o que ele queria e porque andava a zanzar de um lado para o outro, ele respondeu que não encontrava a roupa para se vestir e ir para o trabalho, porque aquela hora já o C.(um antigo colega) estava à espera dele. A minha mãe respondeu que aquela pessoa já tinha morrido há 4 anos, ao que ele respondeu que não podia ser porque ainda ontem esteve com ele. Isto tudo aquela hora da madrugada. Que desatino!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Um susto...

Hoje pela manhã a minha mãe preparou o meu pai para ele ir para o Centro de Dia. Depois de ele estar pronto ela levou para a rua e sentou-o numa cadeira para ele apanhar o sol da manhã. Nessa altura a minha mãe foi arrumar a cozinha. Quando chegou à rua o meu pai não estava mais lá onde o tinha deixado. A minha mãe procurou-o por todo o lado. Num curto espaço de tempo, e como ele tem dificuldade em caminhar, ele não podia estar longe. Mas ela não o conseguia encontrar. Chegou o transporte do Centro para o levar, e a minha mãe disse às funcionárias que não sabia dele. Foram as funcionárias que ajudaram a minha mãe, coitada, ela passou um mau bocado. Então ele estava atrás de um barracão nosso a ver a sua horta.


Foi um grande susto, mas ficou tudo bem...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Desaprendeu


O meu pai já não sabe comer cerejas. Parece uma coisa tão simples não é? Ele já não percebe onde está o caroço nem o que se atira fora e o que se come. Ele gostava muito de cerejas.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Como é possível isto?

Como já aqui disse algumas vezes o meu pai caminha com muita dificuldade. Como ele anda constantemente a querer ir ver a horta ( as batatas, desta vez) e os terrenos por lá são um pouco agrestes, a minha mãe colocou uns paus  ( fez um obstáculo) no caminho para ele não descer e para não tentar passar. Mas bastou a minha mãe se distrair lá com os seus afazeres para o meu pai, não sabemos como, passar o obstáculo e ir para a horta. A minha mãe ficou perplexa como é que ele passou aquilo. Depois para ele passar para o lado de cá foi o "cabo dos trabalhos", não conseguia andar, também era a subir.


É que ninguém o viu passar aquele obstaculo, mas como é que ele conseguiu? E os paus estavam todos direitinhos, ele ao tentar passar podia ter caído em cima deles e ter-se magoado seriamente. Felizmente nada aconteceu...





terça-feira, 10 de maio de 2011

O pensar de uma pessoa com Alzheimer

Numa destas manhãs a minha mãe disse ao meu pai que ia a uma consulta. A minha mãe foi a essa consulta enquanto o meu pai estava no Centro de Dia. Eu liguei para a minha mãe nesse dia ( á noite) a saber como tinha sido a viagem e como tinha corrido a consulta e ouvi o meu pai a dizer-lhe:" então a volta de hoje correu tudo bem?"  A minha mãe disse que talvez fossem as funcionárias lá do Centro que o tenham relembrado da consulta. Mesmo assim, eu fiquei contente por ele ter dito aquela frase. Pelo menos alguma coisa deve estar no seu pensamento. Ele deve ter pensamentos e até talvez preocupações, ainda que de forma mais leve.

domingo, 8 de maio de 2011

Tenho saudades

Tenho saudades do tempo em que podíamos ter uma conversa normal, onde havia entendimento;


Tenho saudades de o ver a tratar da sua horta com tanto empenho e orgulho;


Tenho saudades de o ouvir elogiar os feitos dos seus cães;


Tenho saudades de o ver caminhar e até correr sem qualquer dificuldade;


Tenho saudades dele com toda a sua lucidez e memórias...




sábado, 7 de maio de 2011

Tenho pena

...que a minha mãe esteja a ficar velhinha, cansada e com tantos problemas de saúde...


A idade trás  tantas coisas menos boas.





 

terça-feira, 3 de maio de 2011

Visitei-o no Centro de Dia

Estive no Centro de Dia onde o meu pai está durante o dia. Achei a Instituição bonita e bem cuidada. Eles tinham acabado de almoçar e estavam sentados numa marquise. O meu pai vinha a sair de um corredor, sozinho, e com o andarilho. Ele olhou para mim e disse : " estás aqui!" Fiquei feliz, pois senti que me conheceu, mas depois quando uma funcionária perguntou como eu me chamava, ele respondeu que não se lembrava e olhava para mim, como que a tentar se lembrar do meu nome. Depois a minha mãe disse-lhe o meu nome ao ouvido e ele disse : " ah pois é a ...!"


Enfim, pelo menos, parece que a doença ( Alzheimer) não tem evoluído, mas fico sempre com pena que ele se esqueça de mim...

domingo, 1 de maio de 2011

O tomar dos comprimidos

Continua a ser um problema tomar o comprimido, aquele que é muito pequenino e que o ajuda a descansar melhor durante a noite. A minha mãe diz que chega a estar meia hora com uma baunilha numa mãe, um copo de água e um comprimido na outra. E ele diz: " dá cá, mas é a baunilha e toma tu o comprimido!" Enfim, se não fosse o cansaço até dava para rir! Uma vez ele não quis tomar de modo algum e a minha mãe comeu ela a baunilha com ele a ver, mas não adiantou muito. Todos os dias a história se repete, há vezes em que funciona melhor que outras. É mesmo uma cisma que ele tem contra o comprimido!

Fim

É tudo por aqui!     The End