domingo, 27 de fevereiro de 2011

Os comprimidos e os bailes!

De vez em quando lá no Centro de Dia, os funcionários fazem eventos para animar os utentes. O meu pai, sempre gostou muito de bailes, mas as pernas já não o ajudam. Há dias, ele não queria tomar o comprimido que o ajuda a dormir melhor à noite, e a minha mãe disse-lhe que aquele comprimido era para lhe dar força nas pernas para poder bailar. Nesse momento ele entusiasmou-se e tomou o comprimido muito bem. A minha mãe usou este sistema algumas vezes e resultou. Mas infelizmente já não resulta! Ele chega a beber dois copos de água e o comprimido fica sempre na boca. É uma faceta, que eu por exemplo se quisesse, não a conseguia fazer!


Felizmente os selos que a minha mãe lhe cola nas costas de 24 em 24 horas, ele não  tem como os  rejeitar! 




quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Um pouco agressivo

Duas vezes por semana, lá no Centro de Dia dão banho ao meu pai. Hoje quando o tentavam despir para lhe dar o banho, ele não queria. Não se queria despir e pela primeira vez foi agressivo e até puxou os cabelos a uma funcionária. Não sei o que se passa, só pode ser mesmo da doença, para ele ter esta atitude!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Tem estado tudo calmo

Tem estado tudo calmo com os meus pais, felizmente. A doença parece estar estabilizada, graças a Deus!É tão bom ouvir a minha mãe dizer ao telefone que "tem estado tudo bem"!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Como uma criança a chamar pela mãe...

...quando está no Infantário, hoje o meu pai (lá no Centro de Dia) só dizia que queria a minha mãe. Dizia mesmo:" eu queria era a minha..., levem-me para o pé da minha...."! As raparigas da carrinha quando chegaram a casa dos meus pais contaram á minha mãe que hoje todo o dia ele tinha chamado por ela!


Eu fico a pensar  será que ele esteve triste e com saudades? Espero que seja coisa passageira e que não o deprima!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ele chorou muito

Faleceu um irmão do meu pai, vitima de velhice e doença prolongada. A minha mãe comentou comigo se lhe havia de contar o sucedido ou não. Quando estávamos a falar sobre isto, alguém disse que se calhar era melhor não porque ele depois ia se esquecer logo a seguir e não valia a pena estar-mos a falar do assunto.


 


Entretanto a minha mãe queria ir um bocadinho ao velório do cunhado e antes de ir disse-lhe que o irmão tinha morrido. Então o meu pai começou a chorar e a dizer que já andava há tantos dias com ideia de o ir ver e que agora já não o ia ver mais. É que apesar de morarem perto o caminho era cheio de pedras e buracos e torna-se difícil ambos se visitarem devido a problemas mesmo da idade. Entretanto a minha mãe saiu e deixou o meu pai acompanhado. Parecia que ele se tinha aclamado e esquecido o assunto, apesar de o notarem tristonho!


 


Quando ficaram a tomar conta dele deram-lhe uma revista para ele ler. Minutos depois reparam que ele novamente chorava. Ficaram preocupadas, sem perceber porque ele chorava ao olhar para a revista! Foi então que perceberam: a capa da revista era sobre o Simão Sabrosa e falava da morte do pai dele. Além do irmão falecido do meu pai também se chamar Simão, tinha escrito qualquer coisa do género que o pai tinha morrido sem se despedir do filho. Ele associou toda esta informação e fartou-se de chorar!


 


Fez-me tanta pena. Nós a acharmos que já nada o podia tocar assim desta forma, mas ele ainda tem destes momentos!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Não se lembrou do meu nome...

Fui visitá-los. Quando cheguei encontrei sentado na rua debaixo de um toldo. Cheguei comprimentei-o. Perguntei-lhe se ele sabia como eu me chamava e ele respondeu "não me lembro!", fiquei tão triste. Tentei não demonstrar e depois de lhe dizer o meu nome, ele respondeu "ah pois é"! De seguida chamou o neto e disse "dá cá um beijinho ao avô"! Aí fiquei mais descansada, se calhar ele sabia quem eu era e apenas não se lembrava do meu nome. Pensar assim conforta-me mais.


Bastaram uns minutos a tomar conta dele, para eu ver realmente o sacrifício que é esta tarefa para a minha mãe! Houve mesmo uns momentos que eu entrei em pânico e comecei a chamar bem alto pela minha mãe, pois mesmo com o auxilio do andarilho eu não o conseguia trazer para casa depois de fazermos uma breve caminhada.


Como esta situação é difícil, ninguém merece! Que impotência! Como é que o Estado se pode ter esquecido dos velhotes. Será que ninguém se lembra que todos para lá caminhamos!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

As mentiras

Hoje, falando com a minha mãe  ao telefone, ela confessava-me que se aborrece muito com o facto de ter de estar a dizer mentiras ao meu pai! Como ela diz, mente-lhe para ele tomar comprimidos dizendo que é para uma coisa sendo para outra; mente-lhe quando ele está alucinar a perguntar alguma coisa e a mentira é mais fácil para ele que a verdade. Enfim, ela disse-me que por vezes já nem sabe o que inventar...


A situação fica complicada quer para ele, quer para ela!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O relógio

Há dias o meu pai queixava-se á minha mãe que não tinha relógio e precisava do relógio dele. A minha mãe não lho deu porque a pulseira está estragada, e porque também achou que no estado dele um relógio , não era necessário.  Ele andou com aquela ideia aí uns dois dias. Entretanto ontem trazia um relógio no bolso. A minha mãe imagina que lá no Centro ele tenha feito a mesma conversa e que alguém lhe tenha emprestado um relógio. A minha mãe preguntou-lhe, mas ele disse que não sabia de nada!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Fome às três da madrugada!

O meu pai está sempre com fome! Uma das ultimas noites, ele dizia ás 3 da manhã: " estou para aqui desprezado, nem umas torradas e um café ela me dá!" Por vezes a minha mãe tem mesmo de lhe dar comida durante a noite e mais que uma vez!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Continuo a procurar apoios

Apesar de nos últimos dias a situação estar estável, ou seja, o meu pai não voltou a cair, nem descuidar-se nas necessidades fisiológicas e nem tem dormido mal, continuo a procurar apoios. Ando a procurar pela via da Santa Casa (tem algum apoio do estado), já que os preços no particular não estão ao nosso alcance. Na localidade onde os meus pais residem o Lar que pertence à Santa Casa tem uma lista de espera bem grande e mesmo assim exigem que vá o casal e não só o meu pai. A minha mãe ainda se sente bem e ela não queria ir  para um lar, mas para o poder inscrever a ele temos mesmo de inscrever os dois.


Para darem apoio ao domicilio, como eles vivem  um pouco distantes do Lar, o apoio não se faz chegar a casa dos meus pais.


Outra solução seria pagar a uma enfermeira ou a um especialista em geriatria* para lhe dar apoio, mas imagino como isso deve ser caro.


Enfim só tenho encontrado obstáculos!


 


 


* não sei se este é o termo correcto, pois existem dois termos e o outro é Gerontologia

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ele continua a não gostar de tomar remédios

Hoje quando ligava à minha mãe como faço todos os dias, ela disse-me: "queres ouvir uma coisa, ora escuta!"- e depois ouvi ela a dizer ao meu pai para beber o remédio, e a resposta dele foi: " bebe tu o resto, que eu já não quero mais!" O que eu e ela nos rimos! Mesmo sem saber ele tem sentido de humor! E foi bom ouvir a voz dele! A minha mãe por vezes queixa-se do cansaço e das coisas que ele faz, mas estes momentos que a fazem rir, também são uma ajuda para que a tristeza não se instale... 

Fim

É tudo por aqui!     The End