domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ele chorou muito

Faleceu um irmão do meu pai, vitima de velhice e doença prolongada. A minha mãe comentou comigo se lhe havia de contar o sucedido ou não. Quando estávamos a falar sobre isto, alguém disse que se calhar era melhor não porque ele depois ia se esquecer logo a seguir e não valia a pena estar-mos a falar do assunto.


 


Entretanto a minha mãe queria ir um bocadinho ao velório do cunhado e antes de ir disse-lhe que o irmão tinha morrido. Então o meu pai começou a chorar e a dizer que já andava há tantos dias com ideia de o ir ver e que agora já não o ia ver mais. É que apesar de morarem perto o caminho era cheio de pedras e buracos e torna-se difícil ambos se visitarem devido a problemas mesmo da idade. Entretanto a minha mãe saiu e deixou o meu pai acompanhado. Parecia que ele se tinha aclamado e esquecido o assunto, apesar de o notarem tristonho!


 


Quando ficaram a tomar conta dele deram-lhe uma revista para ele ler. Minutos depois reparam que ele novamente chorava. Ficaram preocupadas, sem perceber porque ele chorava ao olhar para a revista! Foi então que perceberam: a capa da revista era sobre o Simão Sabrosa e falava da morte do pai dele. Além do irmão falecido do meu pai também se chamar Simão, tinha escrito qualquer coisa do género que o pai tinha morrido sem se despedir do filho. Ele associou toda esta informação e fartou-se de chorar!


 


Fez-me tanta pena. Nós a acharmos que já nada o podia tocar assim desta forma, mas ele ainda tem destes momentos!

3 comentários:

  1. Tire-me uma duvida, ele ainda esta no inicio da doença?
    Pergunto-lhe porque alguns dos idosos da Instituição, que sofrem dessa doença já não têm momentos lúcidos
    Por vezes falam que estão à espera de familiares que já faleceram, ou seja falam do passado como se fosse o presente.

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  2. há cerca de quase quatro anos. E ele também tem momentos de perguntar por pessoas já falecidas como se estivessem vivas. Na ultima consulta ele respondeu a quase todas as perguntas, até o medico se admirou com ele. Mas achas estranho esta attiude?

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  3. Fiz a comparação dos idosos da Instituição com essa doença e como eles praticamente não têm momentos lucidos, achei que o seu pai tinha a doença há pouco tempo.
    Certamente a evolução difere de caso para caso e tambem deve depender muito do tratamento.
    Mas é optimo ele ter esses momentos de lucidez.
    Beijinhos

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Fim

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